domingo, 21 de agosto de 2011

Segregação : o conceito

O conceito de segregação revela a separação e distanciação, bem como a restrição a certas variáveis da vida social, a indivíduos, grupos ou instituições característicos, tendo em vista objetivos sociais específicos. Este fenómeno repercute-se em situações como a ocupação social do espaço. Existe um desajustamento destas estruturas sociais, mais ou menos saliente, em relação à sociabilidade requerida pela vida em sociedade. Este afastamento é, por vezes, e mais raramente, voluntário por parte daqueles a quem se dirige, de modo a preservar a sua base cultural e reduzir conflitos ou tensões com diferentes grupos; no entanto, estes objetivos nem sempre se vêm cumpridos. Na sua maioria, a segregação é sustentada por um grupo dominante sobre outro “subordinado”, sendo, portanto, involuntária e obrigada por parte deste último. No caso da segregação em espaços urbanos, esta designa as maneiras como se apresenta dividida a estrutura social e espacial. Existem várias perspectivas sobre o fenómeno, bem como a sua repercussão em espaços urbanos. A segregação pode salientar diferenças e desigualdades entre grupos diferentes ou num mesmo grupo.

(Condomínio Fechado ao lado de uma favela em Juiz de Fora, Minas Gerais)

O processo de urbanização (acompanhado pela industrialização) é um dos principais responsáveis pelo fenómeno segregativo. É caracterizado pelo aumento do número de cidades e pela sua dimensão, bem como um aumento do volume e da densidade populacional; resultante, e principalmente, dos processos migratórios, que, devido à mobilidade geográfica (o êxodo rural, por exemplo) determinam uma alteração das ocupações setoriais da população. Esta mobilidade geográfica acontece diferentemente nos vários países e de acordo com o seu nível de desenvolvimento e características das populações; assiste-se a razões de ordem económica e social aquando da sua verificação. De referir é que estas mobilidades revelam-se extremamente importantes para o desenvolvimento e crescimento da urbe e, neste processo. A chegada de pessoas à cidade à procura de trabalho provoca as diferenças demográficas assistidas entre as zonas urbanas e rurais (particularmente uma aglomeração populacional bastante diversificada entre estas estruturas). É deste processo que nasce, nas zonas urbanizadas, uma população diversificada e heterogénea (diferentes etnias, culturas, usos e costumes) em contraste com a homogeneidade rural.
Na migração, as dificuldades encontradas num espaço não conhecido fazem com que se verifique um maior estabelecimento de laços, união e apoio de indivíduos provenientes dos mesmos meios e que possuem algo em comum; isto também provoca que se assista a uma maior homogeneidade em termos populacionais em locais específicos, diferentes grupos e hierarquização entre estes, nos diferentes locais.
               Foi à industrialização que se ficou a dever uma alteração na organização da urbe, clarificando-se, deste modo, uma segregação em termos espaciais. São os indivíduos de estrato mais alto (que têm maior poder consumista, maior possibilidade de adesão a melhores equipamentos e serviços públicos, pois possuem maiores rendimentos económicos) que incentivam a uma segregação, para deste modo se “protegerem” de grupos de baixo estatuto e menos favorecidos. É neste cenário que existe um ajustamento da estratificação mercantil (como o caso do mercado imobiliário) ao escalonamento social (ligado ao tipo de rendimentos e nível de vida, e deste modo, tornando a inclusão e gestão distributiva dos vários serviços, discriminatórios, mesmo que inconscientemente). A segregação habitacional existe também em cidades mais diminutas, havendo diferenciação entre a periferia e o centro destas mesmas cidades (ligados a um nível sócio- económico, idade populacional, ou tipos de habitações específicos). No entanto, as diferenças verificadas não são definitivas, vão-se verificando modificações em termos da escolha de locais a estabelecer, ao mesmo tempo que se assistem a transformações nas cidades, pois estas não permanecem imutáveis.
Os espaços urbanos, e as cidades industrializadas, distinguem-se por uma interdependência que nasce da divisão e especialização do trabalho. É esta especialização de funções que provoca uma dissociação dos locais de trabalho e de moradia, e tal também provoca uma mudança da estrutura urbana. Segundo a Escola Ecológica de Chicago, o espaço social comporta fatores sociais, económicos, étnicos, culturais e, no geral, de posição dos atores na rede ecológica, que correspondem a formas de disposição do espaço físico e comunidades distintos. O princípio concorrencial e a competição determinam desigualdades existentes no espaço dos vários mercados e a ocupações do espaço pelas diversas instituições sociais. Os vários agrupamentos representam subestruturas dos espaços urbanos. O espaço atua sobre os indivíduos, ao mesmo tempo, que representa tipos de organização. 


FONTE: 
LAKATOS, Eva (1987), Sociologia Geral, 5ª Edição, São Paulo, Atlas.
MELLOR, J.R.(1984), Sociologia Urbana, Porto, Rés.

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